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Um amigo de Oune fala-nos dele

Texte publié le 01 janvier 2002 proposé par Regis
É sempre difícil apresentar um amigo, mas este é de pegar ou largar ; amámo-lo ou não. Eu gosto muito dele. Um pouco irritante por vezes, mas, no seu conjunto, eu diria que ele tem as qualidades dos seus defeitos. Ele é daquelas pessoas que não podem agradar a todos e que não o procura ; as concessões, ele não as conhece ; o retrocesso, também não. Evidentemente, ele toma, como todos nós fazemos, pequenas decisões no quotidiano, mas nada de fundamental. A vida em sociedade implica algumas vezes calar-se e para ele, é - acreditem em mim - difícil.
A injustiça é a primeira causa dos seus arrebatamentos de humor. Ele não suporta ver alguém ser tratado de maneira injusta, quando ele pensa que este não merece, mas, atenção, o nosso homem não é condescendente por tal. Um idiota permanece um idiota e se este arranja problemas com um comportamento idiota, Oune não deixará passar, o que me deixou perplexo em situações que eu teria esquecido, ele não. Uma reacção epidérmica à injustiça e à... idiotice (aqui, posso compreender). Os excessos não estão ausentes, depressa desculpados, pois é por uma boa causa e nunca há muito excesso quando defendemos uma certa ideia do ser humano.
A palavra "ideia" não é a mais apropriada, não existe aqui uma projecção intelectual, grandes discursos pseudo - filosóficos, mas somente um "ressentir", no mais profundo de si, nem sempre racional.
É-me ainda mais difícil de explicar, porque o amor ao próximo não se explica, vive-se interiormente, pois quando é sincero não o divulgamos.
Oune não vos dirá, mas as suas acções falarão por ele. Temos o exemplo, vocês e eu, dessas pessoas que proclamam o seu desinteresse e que, quando vêm a primeira dificuldade são os primeiros a derrubar-se.
O nosso amigo não se derruba, avança, corre riscos. Mas sabe avaliá-los, pois tem plena consciência da realidade. Apaixonado, mas não exaltado: a cabeça nos espíritos, e os pés assentes sobre a terra firme. A concretização dum tal estado de espírito encontra-se na rapidez de execução, isto é, a tomada de decisões é frequentemente imediata com alguns erros de apreciação sobre a importância do acontecimento ao qual ele acaba de reagir. Quer isto dizer que há uma certa desproporção entre a sua reacção e o acontecimento que a provocou. Nele é bastante habitual as reacções "a quente", o que nem sempre evita o surgimento de algumas complicações com as pessoas a quem dizem respeito. Complicações, aliás, por vezes reveladoras de sentimentos escondidos, ou seja, é necessário deixar falar o seu coração, aprendemos muito com ele. O cálculo é muitas vezes mau conselheiro e vira-se frequentemente contra nós.
Eu falava de desproporção, mas será verdade ? Na minha opinião, a sua reacção foi provavelmente desproporcional, mas seria a sua reacção legítima ? É o mais importante. Se esta é justificada, está tudo dito. Quando representamos o que ele representa, a justificação é evidente, não é preciso explicá-la. Oune dir-vos-á o contrário pois tem escrúpulos. Falarei aqui de um outro aspecto da sua personalidade que não aparece à vista de todos, uma forma de auto-descrédito: "Porquê eu?"
"Porque não tu ? – "respondi-lhe eu." - Não escolhes o que és, o livre-arbítrio de cada um limita-se a pequenos detalhes de todos os dias, que nós acreditamos serem importantes para nos tranquilizarmos. Não é isso o essencial, tu bem o sabes, consegues dificilmente aceitá-lo e explicá-lo, ora aí está."
Eu estava a falar-lhe sobre isto, numa noite em que ele me parecia atormentado por dúvidas sobre a legitimidade do seu papel nesta aventura espiritual. "Tu não és nem melhor nem pior que um outro, mas as qualidades que tu aceitares reconhecer em ti serão suficientes. Tu não tens que dizer sim ou não, ou seja, és um porta-voz."
Fácil de dizer para um espectador como eu, mas perguntar-se se estamos à altura desta tarefa pode causar alguns tormentos, posso imaginá-lo. Ao ler-me de novo, penso que a objectividade é um exercício bem difícil quando fazemos o retrato de um amigo. Começo a ter algumas lembranças comuns com este amigo, boas ou más, pouco importa. As imagens vividas que me passam pelo espírito são muitas vezes de teor cómico, como também momentos trágicos, a vida simplesmente.
A lucidez é um traço de carácter que condiz perfeitamente com Oune: ele não tem ilusões sobre a Humanidade, as pessoas inteligentes não disfarçam esse assunto, elas transcendem esse pessimismo pela acção e uma reflexão permanentes ; juntar o pessimismo da inteligência com o optimismo da acção, não se comprazer num gemido permanente nem esquecer-se numa acção irreflectida.
O nosso homem parece-me corresponder perfeitamente à definição daquilo que poderíamos chamar o homem honesto, com as suas fraquezas, as suas cobardias, e por vezes, a sua grande coragem. Poderia continuar assim muito tempo, poderia repetir-me. Tentei, em algumas linhas, descrever-vos um homem que eu conheço, um amigo, logo, é difícil ser objectivo.
Gilles Cochet
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